OSTENSIVO CAAML-1202

CAPÍTULO 2

INCÊNDIO

2.1 - DEFINIÇÃO

Ilustração sobre comunicação

Fogo - Desenvolvimento simultâneo de calor e luz, que é produto da combustão de matérias inflamáveis, como, por exemplo, a madeira, o carvão e o gás.

Incêndio - Fogo que lavra com intensidade, causando destruição e, às vezes, prejuízos.

Ilustração sobre comunicação

2.2 - A DINÂMICA DO INCÊNDIO

Os incêndios podem ser separados em quatro diferentes estágios: Fase Inicial Fase de Desenvolvimento Incêndio Desenvolvido Fase de Queda de Intensidade

2.2.1 - Fase Inicial

Ilustração sobre comunicação

A temperatura média do compartimento ainda não está muito elevada, e o fogo está localizado próximo ao foco do incêndio (Fig. 2.1).

Incêndio na fase inicial

Fig. 2.1 - Incêndio na fase inicial

Caso não ocorra a extinção do incêndio, poderá ocorrer o “rollover”, também conhecido como lean flashover (Fig. 2.2), que é o fenômeno no qual os gases da combustão não queimados no incêndio misturam-se ao ar e se inflamam na parte superior do compartimento, devido à alta temperatura naquela área (são bolas de fogo que se formam na parte superior do compartimento).

Ilustração sobre comunicação

As altas temperaturas - concentram-se próximas ao foco do incêndio, e a fumaça proveniente da combustão forma uma camada quente na parte superior do compartimento.

OSTENSIVO CAAML-1202
Incêndio na fase inicial

Fig. 2.2 - Aparecimento de um "rollover"

2.2.2 - Fase de Desenvolvimento

É a fase de transição entre a fase inicial e a do incêndio totalmente desenvolvido. Ocorre em um período relativamente curto de tempo e pode ser considerada um evento do incêndio (combustão súbita generalizada). Trata-se do momento no qual a temperatura da camada superior de fumaça atinge temperaturas em torno de 600ºC.

A característica principal desta fase é o repentino espalhamento das chamas a todo o material combustível existente no compartimento. Este fenômeno, conhecido pelo nome de "flashover" (Fig. 2.3), é um dos principais causadores de acidentes graves com o pessoal envolvido no combate ao incêndio.

Incêndio na fase inicial

Fig. 2.3 - Surgimento de um "flashover"

A teoria do “flashover” foi elaborada pelo cientista britânico P.H. Thomas, nos anos 60, e foi usada para descrever o crescimento do incêndio até o ponto onde se torna um incêndio totalmente desenvolvido.

A partir do aparecimento do “flashover”, entra-se na fase de incêndio desenvolvido (Fig. 2.4).

OSTENSIVO CAAML-1202
Incêndio na fase inicial

Fig. 2.4 – As fases do incêndio e o "Flashover"

2.2.3 - Incêndio Desenvolvido

Todo o material do compartimento está em combustão, sendo a taxa de queima limitada pela quantidade de oxigênio remanescente.

A sobrevivência do pessoal que estiver no local é improvável.

Chamas podem sair por qualquer abertura, e os gases combustíveis existentes na fumaça se queimam assim que encontram ar fresco.

O acesso a esse incêndio é praticamente impossível, sendo necessário um ataque indireto ao mesmo.

Incêndios em praças de máquinas ou provocados pelo impacto de armamento inimigo atingem este estágio rapidamente.

2.2.4 - Fase de Queda de Intensidade e “Backdraft”

Quase todo o material combustível já foi consumido e o incêndio começa a se extinguir.

Após a extinção do incêndio, em casos específicos, pode ocorrer o fenômeno do reaparecimento.

Em um incêndio que tenha se extinguido por ausência de oxigênio, como por exemplo, em um compartimento estanque que tenha sido completamente isolado, vapores combustíveis podem estar presentes.

Quando ar fresco for admitido nessa atmosfera rica em vapores combustíveis e gases explosivos e com temperatura próxima à de ignição, os três elementos do triângulo do fogo estarão novamente presentes e poderá ocorrer uma ignição explosiva, fenômeno também conhecido por “backdraft” ou “backdraught” (Fig. 2.5).

OSTENSIVO CAAML-1202
Incêndio na fase inicial

Fig. 2.5 - Apresentação de um "backdraft" na fase de queda de intensidade

As condições a seguir podem indicar uma situação de “Backdraft”:

  1. fumaça sob pressão, num ambiente fechado;
  2. fumaça escura, tornando-se densa, mudando de cor (cinza e amarelada) e saindo do ambiente em forma de lufadas;
  3. calor excessivo (nota-se pela temperatura na porta);
  4. pequenas chamas ou inexistência destas em ambientes fechados onde houve um incêndio;
  5. resíduos da fumaça impregnando o vidro das janelas;
  6. pouco ruído em ambientes fechados onde houve um incêndio;
  7. movimento de ar para o interior do ambiente quando alguma abertura é feita (em alguns casos ouve-se o ar assoviando ao passar pelas frestas).

2.3 - PRINCIPAIS CAUSAS DE INCÊNDIO

Ilustração sobre comunicação

Podemos afirmar, com segurança, que o mais eficiente método de combater incêndios é evitar que eles tenham início.

Excetuados, evidentemente, os incêndios originados por danos em combate, a grande maioria de ocorrências de incêndios é derivada de falhas humanas, pela não observância dos cuidados na utilização do material, pela manutenção deficiente dos equipamentos e pelo desconhecimento das precauções de segurança.

Ilustração sobre comunicação

As principais causas de incêndios a bordo de navios, são as seguintes:

  1. cigarros e fósforos atirados em locais impróprios;
  2. trapos e estopas embebidos em óleo ou graxa;
  3. acúmulo de gordura nas telas e dutos de extração da cozinha;
  4. serviços com equipamento de solda elétrica ou oxiacetileno;
  5. não observância de todos os compartimentos adjacentes aos que estão sendo realizados serviços de corte ou solda;
  6. equipamentos elétricos ligados, desnecessariamente, por período de tempo considerável;
  7. porão com acúmulo de óleo ou lixo;
  8. vasilhames destampados contendo combustíveis voláteis;
  9. uso desnecessário de materiais combustíveis;
  10. instalações e equipamentos elétricos deficientes;
  11. materiais inflamáveis ou combustíveis de bordo, tais como óleos, graxas, tintas, solventes etc., armazenados indevidamente;
  12. presença de vazamentos em sistemas de óleo combustível e lubrificante;
  13. presença de óleo combustível ou lubrificante em isolamento térmico de descargas de motores;
  14. partes aquecidas de máquinas próximas a redes de óleo;
  15. uso de ferramentas manuais ou elétricas em tanques não devidamente desgaseificados, ou nos compartimentos adjacentes a esses tanques;
  16. fritadores elétricos superaquecidos;
  17. lâmpadas sem proteção.
OSTENSIVO CAAML-1202

2.4 - MÉTODOS DE EXTINÇÃO DE INCÊNDIOS

2.4.1 - Abafamento

O primeiro método básico de extinção de incêndios é o abafamento, que consiste em reduzir a quantidade de oxigênio abaixo do limite de 13% (Fig. 2.6).

Incêndio na fase inicial

Fig. 2.6 - Retirada do comburente

Não havendo comburente para reagir com o combustível, não haverá fogo. Como exceções, estão os materiais que têm oxigênio em sua composição e queimam sem necessidade do oxigênio do ar, como os peróxidos orgânicos e o fósforo branco.

Conforme já vimos anteriormente, a diminuição do oxigênio em contato com o combustível vai tornando a combustão mais lenta, até a concentração de oxigênio chegar próxima de 8%, quando não haverá mais combustão. Colocar uma tampa sobre um recipiente contendo álcool em chamas, ou colocar um copo voltado de boca para baixo sobre uma vela acesa, são duas experiências práticas que mostram que o fogo se apagará tão logo se esgote o oxigênio em contato com o combustível.

Pode-se abafar o fogo com uso de materiais diversos, como areia, terra, cobertores, vapor d’água, espumas, pós, gases especiais etc. (Figs. 2.6-A, 2.6-B e 2.6-C).

Incêndio na fase inicial

Extinção por abafamento

OSTENSIVO CAAML-1202

2.4.2 - Resfriamento

É o método mais antigo de se apagar incêndios, sendo seu agente universal a água. Consiste em reduzirmos a temperatura de um combustível, ou da região onde seus gases estão concentrados, abaixo da temperatura de ignição, extinguindo o fogo.

Raciocinando com o triângulo do fogo, isto consiste em afastar o lado referente à temperatura de ignição.

Com apenas dois lados (combustível e comburente), não há fogo (Fig. 2.7).

Incêndio na fase inicial

Fig. 2.7 - Retirada da temperatura

Cabe ressaltar que somente por resfriamento podem ser extintos os incêndios de combustíveis que tenham comburente em sua estrutura íntima (pólvora, celulóide etc.). Esses incêndios não podem ser extintos por abafamento (Fig. 2.8).

Incêndio na fase inicial

Fig. 2.8 - Resfriamento em tanques de gás

OSTENSIVO CAAML-1202

2.4.3 - Isolamento

Consiste na retirada do combustível, o que geralmente é utilizado quando não dispomos de equipamentos adequados para combater o incêndio. Como exemplo, podemos citar o fechamento de uma válvula de gás ou retirada de material inflamável das proximidades de um foco de incêndio (Fig. 2.9).

Alguns manuais consideram a retirada do material como um método de extinção, porém consideraremos apenas como uma etapa do processo de extinção, haja vista que se baseia na retirada do material combustível.

Incêndio na fase inicial

Fig. 2.9 - Retirada do combustível

2.4.4 - Quebra da Reação em Cadeia

Processo de extinção de incêndios em que determinadas substâncias são introduzidas na reação química da combustão, com o propósito de inibi-la.

Neste caso é criada uma condição especial (por um agente que atua em nível molecular) em que o combustível e o comburente perdem, ou têm em muito reduzida, a capacidade de manter a reação em cadeia.

A reação só permanece interrompida enquanto houver a efetiva presença do agente extintor, que deverá ser mantido até o resfriamento da área, natural ou por um dos meios conhecidos.

Um dos agentes extintores por quebra da reação em cadeia mais conhecido na Marinha do Brasil é o halon, que é um agente extintor de compostos químicos formados por elementos halogênios (flúor, cloro, bromo e iodo), porém, sua fabricação foi banida pelo Protocolo de Montreal, por ser nocivo à camada de ozônio.

De acordo com o próprio Protocolo, seu uso é permitido para fins militares e extinção de incêndio em Navios.

2.5 - CLASSIFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS

A Associação Brasileira de Normas Técnica – ABNT, por meio da NBR 12693, classifica os incêndios de acordo com os materiais neles envolvidos. Essa classificação é feita para determinar os agentes extintores adequados para cada tipo de incêndio.

OSTENSIVO CAAML-1202

2.5.1 - Incêndio Classe “A”

São os que se verificam em materiais fibrosos ou sólidos, que formam brasas e deixam resíduos. São os incêndios em madeira, papel, tecidos, borracha e na maioria dos plásticos (Fig. 2.10).

Incêndio na fase inicial

Fig. 2.10 - Incêndio classe A – madeira

Método de extinção:

Necessita de resfriamento para a sua extinção, isto é, do uso de água ou soluções que a contenham em grande porcentagem, a fim de reduzir a temperatura do material em combustão abaixo do seu ponto de ignição (Fig. 2.11).

Incêndio na fase inicial

Fig. 2.11 - Uso de água para extinção de incêndio classe A

O emprego de pó químico irá apenas retardar a combustão, não agindo na queima em profundidade.

OSTENSIVO CAAML-1202

2.5.2 - Incêndio Classe “B”

São os que se verificam em líquidos inflamáveis (óleo, querosene, gasolina, tintas, álcool etc.) e também em graxas e gases inflamáveis (Fig. 2.12).

Incêndio na fase inicial

Fig. 2.12 - Incêndio classe B - líquido combustível

Método de extinção:

Necessita para a sua extinção do abafamento ou quebra da reação em cadeia. No caso de líquidos muito aquecidos (acima do ponto de ignição), é necessário também resfriamento (Fig. 2.13).

Incêndio na fase inicial

Fig. 2.12 - Incêndio classe B - líquido combustível

2.5.3 - Incêndio Classe “C”

São os que se verificam em equipamentos e instalações elétricas, enquanto a energia estiver alimentada, como, por exemplo, um motor elétrico ligado (Fig. 2.14).

OSTENSIVO CAAML-1202
Incêndio na fase inicial

Fig. 2.12 - Incêndio classe B - líquido combustível

Método de extinção:

Para a sua extinção é necessário um agente extintor que não conduza a corrente elétrica (Fig. 2.15) e utilize o princípio de abafamento ou quebra da reação em cadeia.

Incêndio na fase inicial

Fig. 2.12 - Incêndio classe B - líquido combustível

2.5.4 - Incêndio Classe “D”

São os que se verificam em metais como lítio e cádmio (em baterias), magnésio (em motores), selênio, antimônio, potássio, alumínio fragmentado, zinco, titânio, sódio e zircônio. São exemplos de metais combustíveis. É caracterizado pela queima em altas temperaturas e por reagir com extintores comuns (principalmente os que contenham água).

Método de extinção:

Para a sua extinção, são necessários agentes extintores especiais (pós químicos especiais) que se fundem em contato com o metal combustível, formando uma espécie de capa que o isola do ar atmosférico, interrompendo a combustão pelo princípio de abafamento.

Os pós químicos especiais são compostos dos seguintes materiais: cloreto de sódio, cloreto de bário, monofosfato de amônia, grafite seco (Fig. 2.8).

OSTENSIVO CAAML-1202

2.5.5 - Incêndio Classe “K”

São os que se verificam em gordura animal, vegetal e têm sido por muito tempo a principal causa de incêndios em cozinhas.

A natureza específica desses incêndios é diferente da maior parte dos outros incêndios, mesmo aqueles que envolvem outros líquidos inflamáveis como gasolina, óleo combustível e lubrificante.

Nos Estados Unidos esta nova classe de incêndio foi reconhecida pela NFPA (National Fire Protection Association), através da norma NFPA 10.

Os óleos de cozinha usados para fritura têm uma faixa ampla de temperaturas de autoignição, que pode ocorrer em qualquer intervalo de 288°C a 385°C.

Depois de ocorrida a autoignição, o óleo mudará ligeiramente sua composição ao queimar-se, tornando a nova temperatura de autoignição mais baixa que a original. Com isso o incêndio tornar-se-á autossustentável, a menos que a massa inteira de óleo seja resfriada a uma temperatura abaixo desta nova.

Método de extinção:

O agente extintor ideal é o Pó Químico Umedecido, que consiste numa solução de água com Acetato de Potássio, Carbonato de Potássio, Citrato de Potássio ou uma combinação destes compostos.

A água da composição tem a função de resfriamento do produto, permitindo que a temperatura permaneça abaixo do ponto de autoignição. Enquanto isso, através de uma reação de saponificação dos agentes extintores (C2H3KO2; NaHCO3; C6H5K3O7) com o produto, ocorre a formação de uma camada superficial de espuma que impede o contato do óleo com o oxigênio do ar.

2.6 - MEDIDAS PREVENTIVAS

Considerando-se que, na prática, a eclosão de um incêndio a bordo não pode ser definitivamente impedida, especialmente em situações de guerra, é necessário que se adotem providências não só de prevenção de incêndios, mas também aquelas que venham a atenuá-lo, quando ele for inevitável.

Algumas dessas providências fazem parte das próprias normas de construção naval, enquanto outras se fazem intimamente ligadas à doutrina do Controle de Avarias – CAv, cabendo ao pessoal de bordo zelar pelo seu cumprimento. A manutenção da doutrina do CAv, inclusive a detecção e correção de irregularidades observadas que venham a apresentar riscos de incêndios a bordo é de responsabilidade de todos a bordo, cabendo ao Encarregado do CAv, sua supervisão, com a ajuda dos Encarregados das Divisões, Fiel de CAv do Navio, Fiéis de CAv das Divisões e do pessoal de serviço.

OSTENSIVO CAAML-1202

Uma adequada prevenção de incêndio deve incluir, conforme já visto, a limitação da presença de materiais combustíveis a bordo, bem como o controle daqueles que podem ser introduzidos para o atendimento de determinadas conveniências ou exigências do serviço, observadas ainda as situações de guerra e de paz.

As providências de prevenção e limitação de incêndios a bordo, no que diz respeito ao material inflamável, abordadas nas diversas publicicações de Controle de Avarias, podem, então, ser resumidas em cinco aspectos básicos:

2.6.1 - Eliminação do Material Desnecessário à Operação Militar do Navio

O navio deve ter conhecimento dos riscos existentes decorrentes da existência desse material e de material estranho a bordo, sua localização e as medidas especiais, se necessário, a serem tomadas caso ocorra alguma avaria, confeccionando, para tal, uma Tabela de Inflamáveis. Todo material introduzido a bordo deve ser relacionado e a sua localização informada ao Encarregado do Controle de Avarias – EncCAv.

A faina de preparar o navio para o combate deve prever a utilização dessa Tabela de Inflamáveis, para que sejam removidos de bordo, ou sejam reduzidas as suas quantidades.

2.6.2 - Especificação do Material de Bordo

O projeto das unidades navais deve prever a mínima utilização de equipamentos e acessórios compostos por materiais combustíveis.

2.6.3 - Armazenamento e Proteção do Material Combustível

Não armazenar, se possível, material combustível acima da linha d’água, inclusive no convés principal.

Quando não puder ser evitado o armazenamento de material combustível no convés principal ou na superestrutura, o mesmo deverá ser acondicionado e posicionado de forma que possa ser lançado facilmente ao mar. Deverá, também, ficar localizado o mais a ré possível, a fim de que a fumaça e as chamas, no caso de incêndio, não venham a interferir com a manobra do navio.

É essencial que não seja deixado nenhum combustível volátil nas proximidades das aspirações dos compartimentos internos do navio.

Os locais adequados para armazenar material combustível são os compartimentos localizados abaixo da linha d’água. Para aumentar a proteção devem ser usados compartimentos localizados junto ao casco e o material deverá ser armazenado afastado das anteparas, para evitar o perigo de calor irradiado no caso de incêndio no compartimento adjacente.

OSTENSIVO CAAML-1202

Todos os combustíveis líquidos, particularmente aqueles que desprendem vapores altamente inflamáveis ou explosivos, devem ser guardados em recipientes próprios com tampa hermética.

A armazenagem de líquidos inflamáveis tais como tintas, vernizes, óleos e graxas deve ser feita em compartimento apropriado, com ventilação forçada.

A armazenagem de materiais nos dutos de descarga de gases de Praças de Máquinas deve ser proibida.

Dever-se ter especial atenção ao material dos invólucros de sobressalentes, geralmente feitos de material combustível. Assim que possível, estes sobressalentes devem ser desempacotados para serem armazenados e os invólucros jogados fora.

2.6.4 - Limitação da Quantidade de Materiais Inflamáveis ao Mínimo Necessário à Operação em Vista

Essa limitação será mais fácil de ser planejada em tempo de paz, quando a duração de cada comissão pode ser estimada com rigor.

2.6.5 - Manutenção do Navio nas Suas Melhores Condições de Resistência ao Fogo

Pode ser alcançada por meio da realização de frequentes inspeções, de modo a manter os riscos de incêndio reduzidos ao mínimo, e da contínua conscientização da tripulação quanto à necessidade de manter o navio seguro, o que é alcançado através do adestramento individual, por equipes e para os quartos de serviço, e de notas em Plano de Dia.

OSTENSIVO CAAML-1202

2.7 - REDUÇÃO DE RISCOS DE INCÊNDIO NAS PRAÇAS DE MÁQUINAS

São apresentadas abaixo algumas ações a executar e metas a serem atingidas de modo a se eliminar ou reduzir os riscos de incêndio nas Praças de Máquinas, através da eliminação ou contenção de pequenos vazamentos, manuseio de combustíveis, realização de adestramentos etc.:

  1. inspecionar frequentemente os sistemas de recebimento, armazenamento e transferência de óleos combustíveis e lubrificantes quanto a vazamentos, incluindo seus flanges, válvulas, elipses e demais itens;
  2. estabelecer normas de segurança para o manuseio de óleos combustíveis (diesel ou de aviação) quando retirados do sistema em que trabalham;
  3. testar e inspecionar os sistemas que envolvem inflamáveis, após reparos;
  4. doutrinar, educar e treinar todo o pessoal para a redução dos riscos de incêndio, realizando adestramentos de procedimentos do pessoal após detecção de vazamentos e no combate a um princípio de incêndio em praça de máquinas, ainda na fase de avaria operacional, assim como promovendo frequentes exercícios de combate a incêndio em praça de máquinas para todo o navio;
  5. incentivar todas as práticas de prevenção a incêndios, como:
    1. inspeção visual de todos os sistemas que trabalham com inflamáveis, nas rotinas de pré-acendimento ou após longos períodos sem utilização;
    2. manutenção e fechamento de todas as tampas dos tubos de sondagem e redes de amostragem, suas respectivas válvulas e bujões de drenagem dos tanques de óleos;
    3. parada e reparo imediato de qualquer vazamento de óleo;
    4. limpeza constante de qualquer pequeno vazamento de óleo que não puder ser sanado imediatamente;
    5. manutenção da limpeza de dutos de ventilação e extração quanto a resíduos de óleo;
    6. manutenção rigorosa da limpeza dos porões quanto a qualquer vestígio de óleo, trapos embebidos em óleo ou lixo;
    7. não utilização dos compartimentos de acesso a chaminés como depósitos;
    8. depósito de óleos contaminados em tanques existentes para este fim;
    9. manutenção rigorosa do material de CAv;
    10. manutenção rigorosa dos acessórios estanques das praças de máquinas.

2.8 - PERIGOS ADICIONAIS COM O NAVIO EM PERÍODO DE REPARO

São apresentadas abaixo situações ou fainas que apresentam risco de incêndio ou explosão a bordo, por ocasião do período de manutenção de um navio:

  1. grande quantidade de fainas de corte e solda simultâneas e falta de controle e supervisão durante esse tipo de serviço;
  2. numerosos painéis energizados e cabos elétricos com muitas emendas;
  3. existência de grande quantidade de pessoal estranho a bordo;
  4. grande quantidade de acessórios de CAv retirados, afetando a estanqueidade do navio, prejudicando o estabelecimento da condição de fechamento de material, em decorrência a limitação de avarias, e permitindo o espalhamento da fumaça;
  5. guarnição reduzida a bordo e interrupção de comunicações interiores, com consequente demora na disseminação de um alarme geral;
  6. rede de incêndio, sistemas de esgoto, comandos à distância, sistemas fixos de extinção de incêndio em reparo ou operando com restrições.
OSTENSIVO CAAML-1202

2.9 - PERIGOS ADICIONAIS QUANDO EM COMBATE

São apresentadas abaixo situações ou fainas que aumentam o risco de incêndio ou explosão a bordo e a intensidade dos danos sofridos, por ocasião do navio em combate:

  1. ondas de calor e deslocamento de ar devido às explosões externas e internas;
  2. estilhaços aquecidos;
  3. alagamentos progressivos, com grande quantidade de óleo combustível entrando em contato com as superfícies aquecidas;
  4. centelhas de equipamentos elétricos avariados;
  5. rompimento de trechos de redes de sistemas vitais;
  6. baixas de pessoal, prejudicando o guarnecimento dos Reparos de CAv;
  7. interrupção momentânea ou permanente de energia elétrica e/ou comunicações, em parte ou em todo o navio.